quinta-feira, 5 de setembro de 2013

Há dias assim

Normalmente tenho tentado manter um registo normal neste blog. Não se trata de arrogância ou esteticismos linguísticos, mas parte de mim considera que não é preciso usar palavras fortes/ofensivas para passar uma ideia em concreto. Normalmente. Hoje é a excepção.
E a minha excepção deve-se ao facto - muito conhecido, infelizmente - de haver sempre, na vida de cada um, um grupo de pessoas que tem o condão de nos irritar. E o pior de tudo é que não são os nossos inimigos. Com esses - a bem ou a mal - podemos sempre contar, isto é, não são imprevisíveis: já sabemos que não gostam de nós, pelo que as suas acções são relativamente coerentes.
Pior é haver, num seio de pessoas com quem nos damos realmente bem (e não amigo, já que para (mim, e para) se chegar a esse status, é necessário provar que não se é como irei explicar), aquele(s) que parece que só está bem a mandar abaixo, directa ou indirectamente. Esta espécie é muito engraçada, e define-se por vários traços característicos:
a) Primeiro, quando necessitam de alguma coisa, és fantástico. Realmente és muito boa pessoa; no meio de tanto egoísmo, ainda consegues ajudar o próximo. Muito Obrigado!
b) Depois, reagem mal ao teu sucesso. Não que não o tenham. Aliás - e particularmente ao nível laboral - está tudo bem se estiveres um degrau abaixo. Mas se começas a chegar próximo (ou quem sabe, ultrapassar) o seu nível, aí começa o "azedume", que leva, quanto a mim, aos passos seguintes;
c) A Falta de Interacção/Motivos de interacção. Parecendo tratar-se de uma característica contraditória, não o é. A falta de interacção demonstra-se pelo facto de normalmente serem pessoas que normalmente nunca se abrem especialmente sobre assuntos pessoais. Ou sequer sobre assuntos relativos à tua pessoa, como conselhos ou opiniões. Não é que eles não queiram falar. Não querem é falar sobre ti. Quanto aos motivos de interacção, normalmente são dois: ou é para, num registo pretensamente de brincadeira e ânimo, gozarem contigo, ou para pedinchar novamente alguma coisa. Aqui é que a coisa se define concretamente, pois lá no fundo és irritante para eles. Mas, em vez de o assumirem, ficam-se pelas brincadeiras consistentes em que aproveitam para dizer algumas das coisas que realmente pensam.
No fundo, o "amigo da onça", é o amigo que apenas fala contigo quando precisa de alguma coisa. Contudo, é rápido a apontar o teu desleixo, dizendo que não lhe ligas nenhuma - porque, como estrela cinematográfica que é, e embora mande uma real cagada nos seus amigos, quando está mal têm que o ajudar - ou os teus defeitos pessoais. Tu és uma pessoa com quem este amigo se dá bem, mas tens muitas características que o irritam. Por isso, aproveita cada oportunidade para dizer em tom de brincadeira que és um interesseiro, ou repreender veemente passos em falso que dês, porque lá no fundo não tem paciência para eles. Querem saber o que eu digo a este espécimen? VÃO TODOS PARA O CARALHO!
Infelizmente a sociedade actual padece de um egoísmo exacerbado hoje em dia. Todos somos os melhores, MERECEMOS tudo, e não temos paciência para ninguém. Namorado(a)/s? "Sou independente, a mim não me amarram"; "Eu cá não trabalho por 500€"; "Não tenho a culpa que não se esforçem". Isto explica muitos dos episódios que vemos numa base diária, como os enjoados que vão ao supermercado e, quando está cheio, bufam e dizem "É sempre assim". Pois é! E acham que valem mais que as 70 pessoas à vossa frente? Acham que o vosso tempo é mais precioso que o deles?! Numa altura em que propaga o nível máximo da democracia, nunca estivemos tão longe de saber viver em sociedade.

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